Petrillo começou suas atividades artísticas, trabalhando inicialmente com desenho, aos 11anos, em Valença, sua cidade natal.

Aos 15 fez sua primeira exposição individual de pinturas e em 1993, com 17 anos, ganhou seu primeiro prêmio, no Salão de Artes do Museu de Arte Moderna de Resende (RJ).

Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Juiz de Fora-MG e, ainda na faculdade, teve trabalhos seus expostos fora do país, na Fundação Caloustre Gulbenkian, em Lisboa, por ocasião do Congresso Luso Brasileiro “Brasil-Portugal: Memórias e Registro” em Comemoração dos 500 anos dos descobrimentos.

Suas últimas exposições individuais revelam um intenso trabalho de pesquisa em relação a texturas e cores, utilizando restos de materiais, terra, minérios e chapas oxidadas.

Suas mostras já percorreram diversas cidades brasileiras como: Natal, Belo Horizonte, Blumenau, Porto Alegre, Juiz de Fora, Brasília e Rio de Janeiro.


2002

Centro Cultural da UFMG | Belo Horizonte - MG

2003

Centro Cultural da Telemar | Belo Horizonte – MG

Fundação Cultural de Blumenau | Blumenau - SC

Museu Nacional de Belas Artes | Rio de Janeiro – RJ

 

2004

Centro Cultural Bernardo Mascarenhas | Juiz de Fora - MG

Museu Chácara D. Catarina | Cataguases - MG

Centro Cultural Correios | Rio de Janeiro - RJ

Landscapes - Galeria Almacén | Rio de Janeiro - RJ

 

2005

Centro Cultural Cândido Mendes | Rio de Janeiro - RJ

Centro Ferroviário de Cultura de Barbacena | Barbacena - MG

Museu de Arte Moderna de Resende | Resende - RJ

 

2006

Fundação Don André Arcoverde | Valença - RJ (homenageado)

 

2007

Centro Cultural Bernardo Mascarenhas | Juiz de Fora - MG

Centro Cultural da Justiça Federal | Rio de Janeiro - RJ

Galeria da CEMIG | Belo Horizonte - MG

 

2008

Consórcio de Arte e Galeria | Buenos Aires - Argentina

Centro Cultural Correios l Rio de Janeiro - RJ.

 

2009

Lugares Possíveis - Centro Cultural dos Correios - RJ

Galeria Almacén - Rio de Janeiro - RJ

 

2011

Imaterial - Espaço Cultural dos Correios - Juiz de Fora - MG

Galeria Almacén - Rio de Janeiro - RJ

 

2013

Improvável - Centro Cultural dos Correios - Salvador - BA

Improvável - Museu Nacional dos Correios - Brasília - DF

Obras Recentes - Galeria Hiato - Juiz de Fora - MG

Linha Subjetiva - 3° Mostra de Arte em Trânsito - Colégio de Aplicação João XXIII - Juiz de Fora - MG

 

2014

Lugar que ninguém habita... - Centro Cultural Cândido Mendes - Rio de Janeiro - RJ 

 

 

1993

Memorial Getúlio Vargas | Volta Redonda – RJ

 

1994

Salão de Artes Plásticas da AMAN | Resende - RJ

FOA - Fundação Oswaldo Aranha | Volta Redonda - RJ

MAM - Museu de Arte Moderna de Resende | Resende - RJ

 

1995

Fundação Cultural Léa Pentagna | Valença - RJ

Salão da Secretaria de Cultura de Cataguases-MG

Mezanino da Sala Villa Lobos - Teatro Nacional Cláudio Santoro | Brasília - DF

20º Festval de Inverno da UFMG | Belo Horizonte - BH

 

1998

JUIZ PRETO DE OURO FORA Projeto Caem Cult | Ouro Preto - MG

IV ENEARTE-UFES | Vitória - ES

 

1999

BRASIL-PORTUGAL: MEMÓRIAS E REGISTROS - Fundação Calouste Gulbenkian | Lisboa - Portugal

Mostra FLUXUS - Galeria Espaço Experimental – UFJF | Juiz de Fora - MG

Projeto Amigos da Escola – (TV Panorama- Juiz de Fora) TV Globo | Juiz de Fora - MG

 

2000

“Desenho Contemporâneo” | Juiz de Fora-MG

TERRA BRASILIS, TERRA PAPAGALLI” Biblioteca Central–UFJF | Juiz de Fora MG

“BRASIL-PORTUGAL: Memórias e Registros” - Centro Cultural Bernardo

Mascarenhas-Juiz de Fora-MG e Centro Cultural da UFMG | Belo Horizonte-MG

É isso ou aquilo – Cecília Meirelles- CCBM | Juiz de Fora- MG

 

2001

Brasil do Novo Milênio – A Arte de Minas – [artista convidado] - Itinerante Palácio das Artes Belo Horizonte-MG

Galeria de Arte da Fundação Cultural de Uberaba – MG

Museu Chácara D. Catarina-F. Cultural Ormeu Junqueira Botelho | Cataguases-MG

Centro Ferroviário de Cultura de Barbacena | Barbacena - MG

Ana Terra Galeria de Arte | Vitória- ES

 

2002

Mezanino da Sala Villa Lobos - Teatro Nacional Cláudio Santoro | Brasília - DF

 

2003

Centenário Pedro Nava – UFJF | Juiz de Fora- MG

7 Pecados – HIATO – ambiente de arte galeria | Juiz de Fora- MG

Museu Mariano Procópio | Juiz de Fora- MG

Universidade Federal de Juiz de Fora | Juiz de Fora- MG

 

2004

Universidarte - Faculdade Estácio de Sá | Juiz de Fora- MG

Fórum da Cultura | Juiz de Fora- MG

1 199 - Galeria Hiato | Juiz de Fora- MG

 

2005

Paralelo 10 - Centro Cultural Bernardo Mascarenhas | Juiz de Fora- MG

Comemorativa 19 anos - Galeria Almacén | Rio de Janeiro - RJ

7 Pecados - Centro Pascoal Carlo Magno | Niterói - RJ

Rio 440º - Ateliêr Belmonte | Rio de Janeiro - RJ

 

2006

Visual Galeria de Arte | Manaus - AM

II SP Arte - Pavilhão da Bienal de São Paulo | São Paulo - SP

Novíssimos - Galeria IBEU | Rio de Janeiro - RJ

Dumaresq Galeria de Arte | Recife - PE

Galeria Almacén | Rio de Janeiro - RJ

 

2007

II SP Arte - Pavilhão da Bienal de São Paulo | São Paulo - SP

 

2008

Feira Internacional de Arte de São Paulo (SParte) | São Paulo

Trajetórias - Galeria Hiato | Juiz de Fora- MG

SP ARTE- Pavilhão da Bienal de São Paulo – SP

ARTEBA - Feira Internacional de Buenos Aires- Argentina

 

2009

SP ARTE- Pavilhão da Bienal de São Paulo – SP

XXXIV Salão Museu de Arte Moderna Resende – RJ

ARTEBA - Feira Internacional de Buenos Aires- Argentina

 

2010

RED DOT FAIR - Feira de arte de New York- EUA

SP ARTE- Pavilhão da Bienal de São Paulo – SP

XXXV Salão do Museu de Arte Moderna de Resende - RJ

 

2011

SP ARTE - Pavilhão da Bienal de São Paulo - SP

Centro Cultural Bernardo Mascarenhas - Juiz de Fora - MG

XXXVI Salão do Museu de Arte Moderna de Resende - RJ

 

2012

Mar de Montanhas - Galeria Hiato - Juiz de Fora - MG

ARTIGO - Feira de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro - RJ

 

2013

Todos os Tons da Paz - Centro Cultural Bernardo Mascarenhas - Juiz de Fora - MG

Museu de Arte Moderna Murilo Mendes - Juiz de Fora -MG

"Eu sei que vou te amar..." - Vinicius de Moraes|100 anos - Galeria Hiato - Juiz de Fora - MG

 

2014

DEZ AO CUBO - Galeria Hiato -Juiz de Fora - MG

DEZ AO CUBO - Estúdio Dezenove - Rio de Janeiro - RJ

DEZ AO CUBO - Galeria Artefato - Porto Alegre - RS

 

2015

 

DIX AU CUBE - Galerie Gènie de la Bastille - Paris - França

 

 

1993

MAM - Museu de Arte Moderna de Resende| Resende - RJ - Referência Especial

 

1995

I Mostra Internacional de Arte Brasileña - Salon Chileno en la Universidade de Taparacá en Arica - Chile

Salon Arica en El Palácio Consistorial de La Ilustre Municipalidade de Arica - Chile

 

2000

II Salão de Arte do Vale do Aço- Fundação Acesita | Timóteo - MG

 

2005

XXIII Salão da Primavera - Museu de Arte Moderna de Resende | Resende - RJ

 

2010

XXXV Salão Museu de Arte Moderna Resende – RJ

 

MAM- Museu de Arte Moderna de Resende | Resende - RJ

Centro Cultural Bernardo Mascarenhas | Juiz de Fora- MG

CSN - Companhia Siderúrgica Nacional | Volta Redonda - RJ

Pinacoteca do Fórum da Cultura | Juiz de Fora- MG

Universidade Federal de Juiz de Fora | Juiz de Fora- MG

Belgo Mineira | Juiz de Fora- MG

Prefeitura de Ipatinga | Ipatinga - MG

Fundação Ricardo Moisés Jr. | Juiz de Fora- MG

Fundação Cultural Blumenau | Blumenau - SC

Faculdade Estácio de Sá | Juiz de Fora- MG

Jornal Tribuna de Minas | Juiz de Fora- MG

Centro Cultural da UFMG | Belo Horizonte - BH

Centro Cultural dos Correios | Rio de Janeiro - RJ

Centro Cultural Cândido Mendes | Rio de Janeiro - RJ










HIATO DESIGN + F.STUDIO 1+10

Será realizado na próxima sexta-feira, dia 03/06, às 20h , a segunda edição da Exposição HIATO DESIGN +F.STUDIO - 1+10 , na Galeria HIATO.
O escritório é composto pelos arquitetos Fernando Fernandes, Felipe Vargas e Flávia Araújo, naturais de Juiz de Fora e possuem um escritório/loja/estúdio de criação e projetos na Antiga Fabrica da Bering Rio de Janeiro.

A proposta da mostra foi fazer uma exposição de mobiliário, com referência nos ideais da Escola Bauhaus, no sentido da flexibilidade, seriação e reprodutibilidade de objetos. Com isso, foi criada pela FSTUDIO a cadeira F.

A ideia surgiu da vontade de agregar criadores com um pensamento artístico, para auxiliar no entendimento de um mesmo objeto - a cadeira. Composta por 3 elementos de ferro, que configuram a peça e a possibilidade de exploração em sua diversidade de uso, montagem e materialidade. O desenho da cadeira foi desenvolvido pela F.STUDIO e trabalhada na visão poética dos artistas convidados para interferirem no objeto, são eles:
Barrão/RJ, Danielle Cukierman/RJ, Fécula/RJ, Jorge Roguiguez-Aguilar/RJ, Luiz Gonzaga/JF, Mariana Procópio/JF, Petrillo/JF, Rafael Alonso/RJ, Rodrigo Torres/RJ, Yuli Anastassakis/RJ.

A proposta foi promover a interação entre esses artistas, com suas diversas áreas e contextos, abrindo o diálogo entre os trabalhos e resultando em 10 olhares distintos sobre o mesmo objeto - a cadeira.

A vernissage será dia 03/06, sexta feira às 20h na Hiato Galeria, Rua Coronel Barros 38, São Mateus, Juiz de Fora. Entrada franca. Visitação de 4 a 18 de junho.
A exposição também estará em cartaz no segundo semestre na Fábrica da Bering, Rio de Janeiro.

 




Linha imaginária

Devemos pensar no fascínio que a cor sempre exerceu sobre os pintores de diversas gerações, latitudes, histórias, origens. Ocupados em criar intensos vermelhos, amarelos aurais e frios azuis, os pintores têm pela frente a batalha de transformar cor em sentido. Na modernidade, a combinação da cor com a abstração, como bem lembrou o crítico norte-americano Meyer Schapiro, levou à renúncia da representação. Com esta renúncia, porém, a arte abstrata tornou-se ainda mais intensa enquanto proposta de uma arte calcada em seu próprio tempo. Segundo o crítico, a arte abstrata possibilitou aos artistas utilizar recursos mais livres para relacionar-se com a natureza e com o homem, ampliando os meios, estimulando a percepção para confrontar-se com a emergência da modernidade.

No neoplasticismo, a abstração era o desejo irrealizável de reconstruir um mundo mais organizado, pulsante em sua simbiose entre ordem e caos. Já a pintura dos artistas abstratos norte-americanos, por exemplo, fazia alusão ao desfiguramento do mundo, à renúncia à figuração para ultrapassar os cânones cubistas. Ecos destas heranças modernistas encontram ressonância, ainda, na pintura realizada por artistas contemporâneos, pois nem mesmo o minimalismo conseguiu converter os cânones da pintura abstrata. O resultado é que a pintura praticada nos dias de hoje segue a cartilha da renúncia à representação.

O artista fluminense Petrillo, ausente do eixo das comoções de estilo, segue construindo uma obra que se configura pela pesquisa dos elementos da pintura abstrata, ainda imbuído do espírito moderno. Suas obras podem ser campos de cor, a exemplo da abstração norte-americana, até faixas de caráter minimalista – suas faixas, porém, não são estáticas, deflagram uma arritmia de cores que se organizam num fluxo de continuidade para além do espaço da tela. Sua pintura é quase sempre rítmica, sem sobressaltos, numa despudorada composição cuja densidade das pinceladas são justapostas por oposição de cores. Em vez de uma escala cromática, as cores são exibidas como linhas, verticais ou horizontais, em faixas de cores brilhantes e vibrantes que se expandem, confundem-se, geram novas cores quando misturadas.

Nesta exposição, Petrillo expõe uma série de pinturas em grandes formatos, cujas imagens parecem nascer da imagem de uma panorâmica aérea, como paisagens vistas do céu, para além das nuvens. As faixas de cor deslizam pela tela, ora misturando-se, ora fundindo-se em ritmos, suaves ou abruptos, como se cada uma delas quisesse impregnar a extensão da tela, sobrepondo-se à outra. Tais faixas de cor nos fazem lembrar as pinturas do artista francês Olivier Debré, que pintava imensas tiras coloridas sobre grandes extensões de tela, mas em áreas limitadas pela própria cor. Contudo, ao contrário de Debré, Petrillo não busca a mimetização do espaço representado, deixa fluir a abstração sem limites para a cor e para suas linhas: elas são livres para se juntarem ou se dividirem.

Para Petrillo, as formas apreendidas pela nossa retina são as que ficam entre o que é visto e a nossa retina que vê. Afinal, elas guardam toda a atmosfera, a física das partículas que alteram nossa percepção. É disso que trata as pinturas de Petrillo. O fenômeno físico poderia ser a referência para entender as enormes faixas de cores que o artista explora sobre a superfície do quadro. Numa segunda instância, no entanto, percebemos as linhas – imaginárias ou não – que se formam nas telas. Elaborando um trabalho que mistura cor e linha, o artista obtém uma abstração, na qual cor e desenho não rivalizam, amparam-se. Seu objetivo é fazer emergir o desenho da cor, dos sulcos da matéria, permitindo variações sobre a natureza da sua técnica.

A linha do desenho, que o artista chama de ‘pensamento gráfico racionalizado’, possibilita o enriquecimento do espaço da pintura, pois a conjugação de linhas e cor dá uma nova dinâmica à tela. Mesmo que Petrillo esteja interessado na representação da superfície, as diversas camadas de cor e as linhas sinuosas formadas pelas primeiras sempre evocam o espaço de uma paisagem, mesmo que área, filtrada pelos raios de luz, pelas partículas da atmosfera, pela física do mundo. Ao invés de retratar a natureza por meio de uma visão simplista, a pintura de Petrillo usa a cor e a linha para evocar lembranças, reminiscências ou mesmo uma paisagem que brota do seu inconsciente. Uma paisagem é sempre difícil de esquecer e a de Petrillo é feita de linhas coloridas que deslizam como uma língua sobre a superfície macia da tela, buscando o horizonte pleno. Ele nos oferece uma panorâmica que não é a real, mas a criada em sua memória; são impressões imaginárias, provocadas por sensações particulares. Esse é o seu relato da paisagem.       

Seus espaços de cor não se deixam aprisionar pela linha do desenho: a cor subtrai e soma para, enfim, construir um híbrido entre desenho e pintura. O jogo de luz e cor seduz pela oposição e comunhão da paleta. A cor quente, a cor fria, a luz e a vibração da cor pura confundem-se no espaço representado. É evidente o fascínio do artista pela cor, sobretudo os tons quentes como o vermelho, o ocre, o laranja, o amarelo – cores que a natureza nos oferta de forma pródiga. Mesmo que esteja interessado na representação pictórica, na superfície, na pele da tela, a espiritualidade evocada pelas imagens remetem ao espaço metafísico. Uma maneira de ver a obra de Petrillo é deixar a sensibilidade fluir, acompanhando as linhas de cor e arrastando nosso olhar pelas grandes superfícies.

Paulo Reis
Rio de Janeiro, 2003

Texto no elaborado para o catálogo da mostra no MNBA - Rio de Janeiro

Há um pintor, uma obra, houve um crítico, conta o pintor norte-americano Jackson Pollock, que escreveu que meus quadros não tinham começo nem fim. Com isso, ele não queria fazer um elogio mas foi um elogio. Foi um belo elogio.

 

Na pintura, fonte de ilimitadas possibilidades, quanto mais  se conhece e  se domina a articulação do fazer mais se amplia o desconhecimento e a insaciável sede  de  dominação da linguagem. Pintar é sinalizar a idéia que se pronuncia a cada ato executivo,  nos impulsionando a conservas interiores,  a repensar o norte do caminho, a reexaminar históricos conceitos estéticos, a transgredir limites impostos e, ao mesmo tempo, atesta Harold Bloom, a escutar estas conversas. Conhecer-se e reconhecer-se na obra conduz a consciência de si.

 

As recentes criações de Petrillo advêm da conjugação do esqueleto da pintura, o desenho, com a  própria pintura e aventam o somatório de definições de tipos de acontecimentos: segundo os gregos, um fato (pragma): uma evidência matérica constatada de modo indiscutível + uma  coincidência (tyché): um episódio incerto ou imprevisível  + uma saída (telos): uma determinada razão +  uma surpresa (apodeston): uma incongruência + uma ação (drama): uma idéia de “fazer”  ou a representação na tela; enroupados de poesia que reclama a criação contemporânea, doutrina da arte pela arte (do francês l’ art pour l’art) que assegura a autonomia da arte estatuindo a obra num corpo auto-referenciado.

 

No lenço, tela ou véu, vertem riscos e nódoas que citam elementos geográficos. São metáforas que abrigam o olhar, a ponte entre a alma e a criação, pondera Torres Agüero, a espiar o mundo como a casa das coisas misteriosas edificadoras da memória.

 

Transeunte no tempo, a imaginação (a memória enlouquecida), mais importante que o saber,  coloca em igual importância o rito de preparação do fazer e a preparação do espírito, concomitantemente.

 

Petrillo se acerca e se distancia do tachismo (do francês tache = mancha). Apodera-se da força dramática do embate, em negro e branco, que a matéria-tinta despeja nos lenços, originando borrões que, dispostos de modo palimpsesto, definem máculas etéreas e tênues em fundo vago.

 

Esboça  garatujas – rios –, os caminhos mais antigos que a redondeza da terra, como certifica o poeta do cotidiano Mário Quintana, que, por determinação do seu destino, partem ao nascer e seguem silenciosos  até onde tudo recomeça.

 

O percurso do criador e da sua criação é o percurso do rio: cumprir destino pelo tempo.

 

Os navegadores antigos acolhiam uma epígrafe gloriosa: navegar é preciso, viver não é preciso,  à qual Fernando Pessoa emendou  viver não é necessário, o que é necessário é criar.

 

Resoluto, tal ao navegador do passado, e obstinado tal ao Pessoa de outras pessoas, Petrillo se incutiu, há tempos, de  inesgotáveis jornadas nos espaços confidenciais da pintura a investigar o ideário das coisas e a catalogar paradigmas que lhe conferem uma voz singular entre outras tantas e que nos permitem dizer: a pintura de Petrillo não lhe pertence, ele é quem pertence à sua pintura.

 

Pinho Neves

Outubro, 2005.

 

Petrillo: o arquiteto de paisagens imaginárias

O trabalho pictórico de Petrillo é revelador, acima de tudo, de uma sensibilidade à flor da pele e de um percurso extremamente pessoal. Tais peculiaridades se manifestam, em especial, na maneira como seleciona e harmoniza as cores sobre o suporte e por meio de uma mão experimentada, que possibilita ao artista arquitetar arcabouços formais singulares e de traços sutis, mas de grande força plástica. Entretanto, se os desenhos de linhas calmas, vão ganhando forma no mesmo ato de pintar e parecem constituir a base de um processo construtivo bastante equilibrado, Petrillo não se deixa seduzir pelo resultado primeiro ou pelo fascínio que uma forma bem engendrada pode exercer sobre o olhar do interlocutor.  A partir de um diálogo e de um corpo a corpo direto com o espaço de criação, o artista transforma a pintura no lugar para onde convergem sentimento e pensamento, num processo em que o gesto se potencializa e se amplifica, ao mesmo tempo em que se ajusta à vontade e à dualidade construção/emoção.

A base da sintaxe mais recente do artista é pautada por uma estruturação linear e que se articula, predominantemente, por meio de faixas horizontais de matéria e cor, mas que em algumas composições também se pauta pela contraposição ou pela polaridade: horizontal/vertical. Embora revele um processo de trabalho disciplinado e criterioso, uma vez que persegue e pesquisa diferentes possibilidades construtivas e expressivas de uma mesma estruturação formal e compositiva, o artista não se orienta por fórmulas dogmáticas, nem recorre a nenhum esquema de construção do espaço de maneira rígida ou que é estabelecido a priori. Na verdade, propõe um processo de trabalho que lhe possibilita estabelecer uma espécie de ordenação forma/cor e preconizar a relação de coerência interna e externa entre as obras de cada série de pinturas.

Através das cores engendra um processo de revelação, enquanto a calma e a monotonia da horizontalidade são quebradas pela fluidez da matéria rala, que ao escorrer contamina e penetra na estrutura formal vizinha. Recorre também ao emprego de um grafismo paralelo, traçado com o próprio pincel, o qual se sobrepõe às estruturas formais básicas, para gerar no corpo das mesmas uma textura delicada. Tais artifícios permitem que as formas se renovem, se transfigurem, se potencializem e se (re)signifiquem a cada novo deslocamento do olhar do interlocutor sugerindo que se afastam, abrindo espaço para desvelar e dar passagem a um outro tempo pictórico. A praxe petrilliana centra-se, acima de tudo, na exímia combinação entre diferentes gradações de cores, com predominância dos tons quentes, aos quais o autor intercala luzes fulgurantes, que atenuam a força ou o peso das escalas mais densas ou soturnas e o ritmo ondulante das formas. Tal articulação de cores e arcabouços formais, que são engendrados com a própria matéria pictórica, dá origem a pinturas que enunciam paisagens evanescentes e que fazem lembrar o magnífico espetáculo que o artista descortina no horizonte mineiro a cada amanhecer, mas que rapidamente desaparece para ressurgir renovado na aurora seguinte, ou, quem sabe, no final da tarde, transfigurado num poético ocaso.

A clareza das composições elaboradas por Petrillo permite que o olho transite lenta e livremente por todo o espaço pictórico: da esquerda para a direita, de baixo para cima, de cima para baixo, ou até do centro para as bordas do campo pictórico, como se tentasse desvelar o enigma que ali se esconde. Assim, o olhar tanto desliza e se deixa embalar pelo balanço flutuante dessas formas quase incorpóreas, como penetra curioso e atento nos diferentes meandros e na topologia dessas cidades imaginárias, que em alguns casos, parecem levitar como ocorre nas paisagens nascidas dos devaneios de Guignard.

                                                         Almerinda da Silva Lopes
                                               Professora do Dep. Artes UFES e Crítica de arte.

 

Petrillo – Lugar que ninguém habita…

 

Entre linhas e texturas, recortes e colagens, Petrillo vai construindo caminhos e desenhando territórios. Lugares reais que ganham contornos imaginários e espaços imaginados transformados em realidade.

O artista dinamiza em seus trabalhos o conceito de “sociedade lúdica”, pensado pelos Situacionistas, e brinca entre figurações e abstrações para construir uma geografia ímpar, mas capaz de dialogar com diferentes referências da contemporaneidade.

O termo paisagem, surgido na Europa do século XVI para determinar um tipo de pintura, mudou muito ao longo da história. Deixou de ser a representação de um lugar sem narrativa para ser um território da diversidade de cenários e interpretações.

As paisagens são sempre carregadas de valores estéticos e emocionais, e não apenas descrições do que se vê. Da Land Art aos “não-lugares” de Marc Augé, o artista materializa em suas pinturas e desenhos uma mistura exata entre as ações do tempo, do homem e da natureza.

A partir da contemplação dos territórios produzidos nos é permitido perceber a infinidade de sobreposições, fusões e intercâmbios entre lugares possíveis e espaços improváveis. Com suas dicotomias e seus antagonismos, essas topografias, ora estáticas e permanentes, ora fluidas e efêmeras, vão construindo um espaço físico, mas imaterial e, por isso mesmo, limitado e amplo.

Mas será esse lugar uma “terra de ninguém”, um território desconhecido? Georges Perec escreveu que o habitual deve ser interrogado e que ao falar das coisas comuns falamos do que existe, do que somos. A relação com o espaço pode ser visível ou imaginária, mas sempre sensível.

Os traços impressos em telas e papéis e que aparentam estar à deriva, constroem uma paisagem complexa, cheia de desdobramentos e nuances, sentidos e emoções. Esse lugar que ninguém habita é móvel e variável e, ao mapeá-lo, Petrillo expõe o lugar exato onde a vida pulsa.

 

Mariana Bretas

curadora

Do lugar ao lugar nenhum.

 


Leves e fluidas. Intensas. A horizontalidade das paisagens oníricas vai se impondo e outros espaços vão surgindo sobre lonas e superfícies translúcidas. Cores que se mesclam em sutilezas, craquelados que surgem ao acaso pretensioso, imensas áreas desérticas, vazias, distantes, impalpáveis, “não-lugares” repletos do nada, apenas vestígios. Mapas topográficos (re)inventados pelo artista dão a ilusão de uma geografia que só existe em sua mente e de quem mais ousar a ver. Desmaterialização? Um processo doloroso. O artista redimensiona o conflito para dentro da tela. Arrisca-se a retornar ao esqueleto, ao esboço, ao croqui da pintura. É o esforço do preenchimento, ao avesso. Uma entrega do artista quando não retém mais a tinta no suporte e nem a cor circunscrita numa área pré-estabelecida. Abnegado, deixa a tinta escorrer, deixa fugir, deixa fluir. O percurso da (des)materialização ou da imaterializarão do processo inventivo, e ainda a insistente pesquisa de novos pontos de vista, desta vez calcada em mapas topográficos - em curvas de níveis -, numa variedade de especulações através de materiais expressivos, suportes e formatos. Ora os mapas são apresentados em pequena escala e fragmentos que podem ser replicados em faces refletoras -o local se torna infinito, se multiplica ilusoriamente. Ora ressurgem em superfícies totalmente translúcidas, resultantes do atrito de linhas finíssimas sobre as áreas transparentes, que superpostas, projetam outras linhas em sombras, fazendo aparecer outras representações gráficas inexistentes. Existentes apenas, se os olhos as perceberem. Uma espécie de pintura descamada, descascada. Retirada as películas de cores, manchas e craquelados da superfície da tela, surgem linhas sutis, pretas, que avançam e recuam no espaço. Talvez montanhas, vales, rios e erosões. Pesquisas topográficas do inexistente, de lugares ainda não habitados, ainda por serem construídos, explorados. Os olhos são obrigados a percorrer aquelas trilhas em labirintos e chegar a lugar nenhum. Uma pintura de transição. A entrada de diagonais, as tintas que sangram e não ficam mais no mesmo lugar. Revelando “uma outra paisagem por detrás da paisagem”, uma  outra ordem, talvez alguma desordem necessária. É o diálogo entre o lugar real e o lugar nenhum que Petrillo tanto interroga, quer conhecer, quer dar a conhecer.

 

Andréa Senra

Doutora e Professora de Arte (Colégio de Aplicação João XXIII / UFJF) e Artista Visual

Algures de lugar nenhum

Acompanho o trabalho deste artista. Analisando sua longa trajetória na arte, Petrillo tornou-se pintor muito cedo, vi como desenvolveu seu trabalho desde o tempo em que era um artista menino, desde o tempo em que buscava, com a energia de um trabalhador braçal, a identidade poética capaz de transformar sua obra em um percurso único e robusto. Hoje vejo Petrillo desfrutando deste esforço ao apresentar-nos um conjunto de pinturas e objetos que, como uma cartografia de sua experiência artística, mostra a evidência de seu salto poético: a transmutação de uma visão perspética do modelo ideal a um voo circunflexo, que o leva às alturas e o faz transcender à própria paisagem, tão valiosa em seu trabalho.

 

Paisagem, “extensão de território que se abrange com um lance de vista”, assim me sinto confortável para começar a falar da pintura de Petrillo. Suas telas de outrora, gigantes em tamanho, já faziam o observador mergulhar dentro de um território específico. A profundidade causada pelas linhas e os planos incongruentes formados pelas massas de cor acastanhadas, às vezes claras, às vezes escuras, nos davam a nítida impressão de estarmos diante de uma janela, uma grande janela pela qual mirávamos, observadores únicos, uma paisagem adormecida. No entanto, em seu amadurecimento como pintor, a visão estática da paisagem se desdobra: agora nos vemos diante de uma pintura que acontece em suportes variados: são telas, são papéis, são caixas de madeira, são chapas de acrílico, ora enormes, ora pequenas e delicadas; e a pintura por vezes se transfigura em objeto. Percebemos que sua pesquisa poética continua tratando de espaços e territórios, mas é inegável a reviravolta na perspectiva do observador e do artista. Petrillo, influenciado pela docência na arquitetura, começa a investigar gráficos e levantamentos topográficos, transferindo as linhas e os espaços criados entre elas para suas imensas ou pequenas telas. As relações cromáticas também se transformam, sua nova palheta agora se lembra de cores antes inusitadas, como verdes, violetas e vermelhos poderosos. Segundo o próprio artista, o que agora investiga e cria são topografias de lugar nenhum, paisagens inexistentes, relevos imateriais; e finalmente podemos planar sobre suas antigas paisagens. Ou seja, o observador, antes em repouso, agora se desloca pelo ar, em movimento amplo, sem restringir-se a um único ponto de fuga; o observador voa. O artista não apenas mudou o ponto de vista dos espaços representados, mas transcendeu a noção que tinha de lugar: o que era antes restrito e familiar, agora é integral, no sentido em que apresenta uma viagem global pelo fenômeno, isto é, por sua infalível busca pela paisagem.

Ainda nesta nova fase, Petrillo também nos mostra um trabalho que se desenvolve a partir das linhas que na pintura e no desenho acontecem num gesto vigoroso e acertado, como se a linha surgisse numa tela e seguisse despreocupada para atingir o alvo em outro trabalho. É que a inter-relação presente nas imagens criadas pelo artista confirma a construção rizomática do percurso poético, ou seja, independentemente do meio utilizado para a representação de sua arte, sentimos que tudo está conectado, como se fosse parte de um grande corpo artístico. Cada objeto é uma célula desta nova investigação. O protagonismo do desenho, ou melhor dito, a reverência pelo desenho promove o enlaçamento de cada trabalho, um no outro e todos entre si; seja pintura, seja objeto ou puro croqui. O que podemos ver então são híbridos, experiências de laboratório, mutações de espaço que só a generosa prática do desenho nos permite alcançar objetivos tão heterogêneos e ao mesmo tempo tão recíprocos entre si.

 

Tais desenhos nos mostram também que a poética dessa pesquisa, além do fato espacial, se faz numa sutil citação a uma secreta experiência orgânica, real e factível em sua arte: não tenho dúvidas de que estou diante de capilares e de veias, de conexões e de caminhos. Não serão seus trabalhos a representação de uma mirada ao interior, de uma busca íntima, de uma reivindicação por lugares subjetivos, sublimes ou pitorescos?

 

Foucault certa vez escreveu que “são convenientes as coisas que, aproximando-se umas das outras, vêm a se emparelhar; tocam-se nas bordas, suas franjas se misturam, a extremidade de uma designa o começo da outra. Desse modo, comunica-se o movimento, comunicam-se as influências e as paixões, e também as propriedades”. [1] Não seria também, por essa mesma força que todos os fluxos da obra (antiga e atual) de Petrillo se aproximam e se irmanam entre si? Como o mundo, que constitui-se numa cadeia consigo mesmo.

 

Priscilla de Paula

Juiz de Fora, 10 de março de 2011



[1] FOULCALT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. 8° ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

 

OBRAS RECENTES

PETRILLO

 

    Se o quadro não é uma tela de representação, mas um local onde é constatado visualmente um evento existencial, chega-se à problemática de sua função objetual: o que é,  na realidade aquele retângulo em branco, onde se produzem fatos, inúmeras vezes carregados de dramaticidade, repletos de uma tentativa que beira o transcendental na busca pela verdade?

     O meu envolvimento  com a arquitetura se desdobra visivelmente em sua produção, através de uma complexa reflexão metafísica sobre o tempo e espaço como desdobramento de um "lugar";suas fortes linhas em grafite se tornam assim uma espécie de percepção do artista de espaço.

     O espaço aqui liberta-se da matéria física, suas arbitrárias curvas de nível fundamentam-se como metáfora poética dos lugares impossíveis, aqueles que inúmeras vezes estão fora do alcance da crua realidade. Meu trabalho, que se estende por incontáveis plataformas, desde o desenho de tom quase cirúrgico até a pintura de zonas cromáticas, tem como principal intento se estender no espectador, permitir que este apreenda seu próprio relevo, o relevo de seu interior e mente.

     São estes os espaços imateriais que me interessam, espaços fluidos mas de uma densidade ímpar, a experiência plástica em busca por uma zona de tensão.O artista é assim, um arquiteto do tempo e do espaço - do tempo que se desdobra no outro como percepção e do espaço topográfico do eu.

 

Petrillo

Artista visual

 

Petrilo: o engenheiro do espaço e do tempo

 

Petrilo não é um engenheiro no sentido literal da palavra. Nem um arquiteto, embora seja professor numa escola de Arquitetura e Urbanismo, em Juiz de Fora, importante cidade da Zona da Mata de Minas Gerais. Ele é um engenheiro na concepção engendrada por Pierre Cabanne  em relação a Marcel Duchamp no livro “O Engenheiro do Tempo Perdido”.

 

O ponto e a linha, a reta e a curva,  desde sempre exerceram sobre Petrilo,  arte educador, desenhista, designer, pintor e instalador, um fascínio impressionante. Não é menor o seu interesse pelo espaço. Em 2004 ele  publicou  reflexões gráficas e pictóricas substanciadas neste sentido na mostra Landscapes 2004, realizada na Galeria Almacén, no Rio de Janeiro, na qual voltou a expor individualmente em 2009 (Lugares Possíveis) e 2011 (Imaterial).

 

A critica Almerinda da Silva Lopes  assinalou então que “a base da sintaxe mais recente do artista é pautada por uma estruturação linear...”, chamando a atenção para o uso frequente de faixas em suas têmperas sobre lona ou madeira , ora no sentido horizontal, ora no vertical, ora nos dois sentidos.

 

Na sequência, Petrilo desenvolveu uma série de trabalhos em que aprofunda sua relação com a linha e com o espaço mediante desenhos sobre véus suspensos. Esses desenhos/pinturas sobre organza dão origem a um panejamento diáfano que sobrepõe as linhas que se multiplicam à medida que o espectador desliza em torno delas permitindo ainda outras variações visuais de acordo com montagens diversas. Este norte de pesquisa foi documentado pela mostra Etéreas,  realizada no Museu de Arte Moderna de Resende, RJ. Com estas instalações, Petrilo se aproxima do conceito de lugar, de espaços determinados.

 

Pinturas,  instalações e desenhos criados dentro desses princípios são mostrados, nos anos seguintes, em sua terra natal, Valença, RJ, em Juiz de Fora, Rio de Janeiro,  Belo Horizonte, Buenos Aires.  Caminhando em seu desenho na direção do  “imaterial”,  da leveza – uma das seis propostas de Ítalo Calvino para a arte da palavra no atual milênio,  proposição que se estende naturalmente à arte em geral e à própria vida - , Petrilo realiza uma série de desenhos sobre papel, sobre tela e obras em que a linha percorre caminhos sinuosos sobre  superfícies onduladas de madeira ou mesmo dispostas em caixas, em planos diversos. A ideia de lugar se consolida. No papel, às vezes de grande formato, suas linhas são caprichosas e expressivas.

 

Nesse meio tempo, Petrilo tem guardado em seu ateliê cópias de levantamentos topográficos da cidade de Juiz de Fora, encontrados na escola em que dá aulas. As curvas de nível não saem de sua cabeça. Paralelamente à sua pintura, que ele jamais abandonou, começa então a reproduzir as curvas de níveis  em diferentes suportes, entre eles o acetato, que permite a sobreposição dos desenhos. Os resultados são surpreendentes, pois o artista utiliza-as com total liberdade, invertendo, recortando, sobrepondo, acrescentando, criando, com desenhos que reproduzem altitudes reais de terrenos, territórios poéticos  soberanos. Segundo João Cabral de Melo Neto,  “o engenheiro cria coisas claras ... superfícies ... copos de água”. Esse é o desenho de Petrilo. Um desenho  claro, transparente e lúcido. Um desenho expandido, que sai do chão e ganha outros suportes entre os quais o espaço. Desenho que também passa a ideia de tempo. Com esta atitude, Petrilo cumpre a verdadeira função da arte, que é dar origem a uma nova realidade, a um território poético, independente e autônomo, com regras próprias, sem começo nem fim, nem lugar.

 

Enock Sacramento

Curador

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